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Brasil - Mundo - 12/08/2022

Lula considera legal a destituição de Castillo e deseja êxito à nova presidente do Peru

Pedro Castillo tentou dissolver o Parlamento do país, mas acabou sendo destituído do poder pelo Congresso

ESTADO – O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (7) que a destituição do presidente peruano, Pedro Castillo, após uma tentativa de golpe de Estado, seguiu os ritos da Constituição do país vizinho. A manifestação foi feita por meio de nota, em que Lula também lamenta que um presidente eleito democraticamente tenha tido esse destino.

Lula defendeu diálogo e tolerância como solução para a grave crise política peruana. Ele ainda desejou êxito à tentativa da presidente Dina Boluarte de reconciliar o país.

“Acompanhei com muita preocupação os fatos que levaram à destituição constitucional do presidente do Peru, Pedro Castillo”, afirmou Lula. “É sempre de se lamentar que um presidente eleito democraticamente tenha esse destino, mas entendo que tudo foi encaminhado no marco constitucional.”

Ainda de acordo com Lula, a expectativa é a de que as forças políticas peruanas trabalhem juntas, dentro de uma convivência democrática construtiva.

“Em meu governo, trabalharemos de forma incansável para reconstruir a integração regional, para o que a amizade entre o Brasil e o Peru é fundamental”, conclui.

O Congresso do Peru destituiu do cargo o presidente de esquerda Pedro Castillo nesta quarta-feira (7) horas depois de ele ter tentado dissolver o Parlamento e instaurar, sem sucesso, um golpe de Estado no país. Sem apoio e isolado politicamente, Castillo foi preso duas horas depois de declarar um “governo de emergência” no país. Ele será acusado de sedição.

A vice-presidente Dina Boluarte, também de esquerda, mas rompida com Castillo, assumiu o cargo depois de ter sido empossada no final da tarde. Pedro Castillo tinha sido convidado por Lula para a cerimônia de posse.

O ex-ministro e coordenador da transição do governo Lula, Aloizio Mercadante, disse que a tentativa de impor um golpe de Estado no Peru é um gesto inaceitável e que qualquer iniciativa que afronte a democracia deve ser barrada.

“Em relação ao Peru, não temos ainda todas as informações disponíveis, mas há uma missão fundamental e que precisa ser respeitada em toda a América Latina, que é a democracia e a soberania do voto”, disse Mercadante, ao ser questionado sobre o assunto.

Mais cedo, o Itamaraty, também por meio de nota, disse acompanhar com “preocupação” a situação política no Peru. O governo atual classificou os atos do ex-presidente de esquerda Pedro Castillo como “incompatíveis com o arcabouço normativo daquele país”.

A crise que resultou na prisão de Pedro Castillo:

  • O líder peruano foi eleito em 2021 após uma eleição extremamente polarizada. Pedro Castillo surpreendeu e venceu Keiko Fujimori, que é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, por uma margem pequena de votos.
  • A candidata derrotada foi à Justiça Eleitoral para questionar o resultado das eleições, o que causou uma série de manifestações feitas por apoiadores de Castillo e Fujimori.
  • Keiko Fujimori só aceitou os resultados das urnas mais de um mês após o segundo turno das eleições.
  • Antes mesmo de assumir o cargo, ainda na campanha, Castillo já havia dado declarações polêmicas, ameaçando fechar o Congresso se os parlamentares não aceitassem os planos dele.
  • Com o parlamento dominado pela oposição, a primeira crise do governo aconteceu dois meses depois da posse, quando o primeiro-ministro do país e todo o gabinete ministerial renunciaram aos cargos.
  • Em dezembro de 2021, Castillo sofreu o primeiro pedido de impeachment, que acabou sendo derrubado. Outros dois foram abertos, sendo que o último resultou no afastamento do presidente, nesta quarta.
    Pedro Castillo já foi acusado de “incapacidade moral” para seguir no poder e “falta de rumo”.
  • Nesta quarta-feira, o presidente fez uma transmissão pública para anunciar a dissolução do Congresso e convocar novas eleições, em resposta ao último pedido de impeachment que sofreu.
  • Durante o anúncio de dissolução do Congresso, Castillo afirmou que iria instituir um governo de exceção, declarando estado de emergência.
  • A manobra de Castillo não funcionou. O Parlamento ignorou a dissolução e se reuniu para aprovar o pedido de impeachment do presidente.
  • As Forças Armadas também não apoiaram o presidente e afirmaram que o Castillo só poderia dissolver o Congresso se os parlamentares tivessem derrubado todos os ministros do governo, o que não aconteceu.
  • A Suprema Corte do Peru classificou a atitude de Castillo como golpe de Estado e determinou que a vice, Dina Boluarte, assuma a Presidência.
  • O Congresso também convocou Dina Boluarte para ser empossada como presidente, ainda nesta quarta. Em uma rede social, ela escreveu que Pedro Castillo rompeu a ordem constitucional.
  • Castillo foi preso momentos depois, enquanto se preparava para deixar o palácio do governo.

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