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Brasil - Mundo - Novo Normal - 10/13/2022

O que é fato sobre as relações de Lula e do PT com as ditaduras de esquerda?

Da Redação – Pela segunda vez em menos de duas semanas, a equipe de campanha do ex-presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo para que um conteúdo do site Gazeta do Povo seja retirado do ar. A matéria em questão relata uma suposta relação de Lula com o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega. A ação foi aberta na terça-feira (11) e será analisada pelo ministro Paulo de Tarso Sanseverino ainda nesta semana.

Um outro pedido feito pela equipe jurídica do candidato petista ao TSE é que outras reportagens indicando tal relação com ditadores também sejam impedidas de ser publicadas. Algo que configuraria uma censura, o que fere a Constituição Federal. É nessa premissa que os advogados do Gazeta do Povo protocolaram o pedido de defesa no Tribunal Superior Eleitoral, citando o artigo 5º, que diz que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

PEDIDO DE CENSURA ANTERIOR
O ministro Paulo de Tarso Sanseverino já havia julgado no início do mês de outubro um outro pedido do Partido dos Trabalhadores. Na ocasião, após julgamento, o magistrado do TSE determinou as redes sociais Twitter e o Facebook removessem 31 postagens que apontavam o apoio do ex-presidente à ditadura de Daniel Ortega na Nicarágua.

A primeira decisão judicial também afetou uma tuitada da Gazeta do Povo, que no dia 22 de setembro publicou uma notícia intitulada de “Ditadura apoiada por Lula tira sinal da CNN do ar”.

Mas qual é a relação de Lula com ditaduras?

O ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva demonstrou ter uma relação próxima a várias ditaduras de esquerda no mundo durante os dois mandatos em que ocupou o Palácio do Planalto e depois deles.

Lula conquistou a admiração e a amizade de líderes de países da América Latina, como Cuba, Venezuela e Nicarágua, e aproximou o Brasil de nações comunistas distantes geograficamente, como China e Coreia do Norte.

O ditador cubano Fidel Castro morreu em 25 de novembro de 2016. Ele governou a ilha caribenha de 1959, após a Revolução Cubana, até 2008, quando passou o poder ao irmão Raúl Castro, por não ter mais saúde para ocupar o cargo.

A morte de Fidel ganhou repercussão mundial e políticos de diversos países prestaram suas homenagens ao cubano. Na época, o ex-presidente do Brasil chamou o ditador de “companheiro insubstituível” e comparou a morte do amigo com a “perda de um irmão mais velho”.

“Sinto sua morte como a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível, do qual jamais me esquecerei”, disse Lula em um comunicado publicado em seu site oficial.

Nas redes sociais, o político brasileiro compartilhou com seus seguidores um vídeo em que escreve na parede “Viva Fidel”.

A ilha caribenha foi destino de quatro viagens oficiais de Lula no período em que foi presidente do Brasil. O político petista foi o mandatário brasileiro que mais fez viagens diplomáticas, com um total de 139 compromissos em outros países.

Em 2021, Cuba enfrentou o maior levante da história desde a tomada do poder por Fidel Castro e seus aliados. No dia 11 de julho a população ocupou as ruas das principais cidades da ilha para pedir democracia e melhores condições de vida.

Ainda que a ação tenha sido duramente reprimida pelas Forças Armadas e pela polícia local, o que resultou em centenas de prisões, inclusive de menores de idade, Lula não condenou a repressão. Além de minimizar a mobilização, ele atribuiu a situação do país comunista ao embargo imposto pelos Estados Unidos.

Coreia do Norte
O governo Lula se aproximou de outra ditadura comunista, mas desta vez do outro lado do mundo.

Em 2006, o Brasil estreitou relações diplomáticas com a Coreia do Norte e os dois países assinaram diversos acordos comerciais.

Em 2009, o Brasil instalou a embaixada na capital norte-coreana Pyongyang, algo raro visto que pouco mais de 20 países têm representação no território governado por Kim Jong-un.

China
Outra ditadura comunista que contou com apoio e admiração do ex-presidente Lula foi a China.

Em entrevista a jornalistas chineses, Lula disse que a ditadura comunista de mercado da China era um “exemplo de que é possível cuidar da população por meio de um governo sério e com responsabilidade para com o seu povo”.

Na mesma entrevista, Lula também fez elogios ao Partido Comunista chinês. Quando foi questionado sobre o baixo desempenho econômico dos países-membros do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em comparação com os resultados obtidos pelo governo chinês, o petista respondeu: “A China tem um partido, que é resultado da revolução de 1949 do Mao Tsé-Tung. A China tem poder, um Estado forte que toma decisões e que as pessoas cumprem. Coisas que não temos no Brasil”.

Venezuela
A Venezuela, país vizinho ao Brasil e que passa por uma grave crise econômica e humanitária há anos, contou com o apoio de Lula e de seu partido. Os venezuelanos são governados por uma ditadura de esquerda que teve início com Hugo Chávez e que segue na mesma linha com Nicolás Maduro no poder.

Quando Maduro venceu as eleições, em 2013, o PT publicou nota em que saudava a vitória e dizia ter recebido a notícia com “muita alegria”.

“Recebemos com muita alegria o relatório do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, cuja correção foi confirmada pela missão observadora da Unasul, declarando que Nicolás Maduro venceu as eleições por 50,66% dos votos, contra 49,07% de seu opositor”.

Em 2019, quando o opositor Juan Guaidó declarou-se presidente interino da Venezuela, Gleisi Hoffmann defendeu Maduro e disse que ele havia sido eleito democraticamente. Além disso, criticou Bolsonaro e Trump por terem reconhecido Guaidó como presidente legítimo.

Nicarágua
No ano passado, o PT divulgou uma nota saudando a vitória de Daniel Ortega, na Nicarágua, em uma eleição contestada e sem o reconhecimento da comunidade internacional. Dias depois, a nota foi retirada do ar.

O partido do ex-presidente classificou o resultado das urnas na Nicarágua de “uma grande manifestação popular e democrática”.

Em oposição às manifestações de outras autoridades internacionais, a publicação destacou o “apoio da população a um projeto político que tem como principal objetivo a construção de um país socialmente justo e igualitário”.

Em uma entrevista, Lula comparou o período em que Angela Merkel comandou a Alemanha com a sequência de quatro mandatos de Ortega para justificar a vitória do esquerdista: “Por que a Merkel pode ficar 16 anos no poder e o Daniel Ortega não?”.

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