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Celebridades - Cultura - Local - 12/23/2022

Crônicas do dia a dia – Então é Natal

Por: Edel Holz – Me lembro como se fosse hoje. Eu, com 4 anos acordando e me deletando com a árvore de Dia mantes Negros e Sonhos de Valsa que Vovô Juca montou só pra mim! Com 7 anos eu aflita, esperava minha bicicleta Monark que Titio Zequinha trouxe de Brasília. A ansiedade foi tanta, que caí no chão e abri o queixo.
Titio era médico e me levou pra Santa Casa, ele mesmo deu os pontos 4 no total em São Paulo.

Durante o Governo militar, sem dinheiro algum, meus pais deram um jeitinho de dizer que o bom velhinho havia deixado algo simples para mim: uma caixinha dourada com lencinhos pintados da Praça da República e uma corda. Os melhores presentes do mundo! O tempo foi passando, a vida melhorando, eu crescendo e nos mudamos pra Passos, nossa terra natal.

Meu Irmão Gustavo montava uma árvore dos sonhos e nos fazia ajudá-lo a montar. O melhor de tudo? Os presentes, claro! Ah…e a mesa decorada com melancia esculpida por ele, uvas, leitoa, chester, tender, arroz e inúmeros bombons. Depois que mamãe se foi, ele continuou a preparar o Natal e a ceia do mesmo jeitinho de antes.
Sophia nasceu e eu tentei sempre cultivar o Natal em casa.

Os presentes ela encontrava debaixo da cama na manhã seguinte. Aquele sorriso demonstrando uma alegria in tensa ao encontrar o que queria, fazia bater meu coração. Por ela, criei minhas peças natalinas. E foram muitas desde 2004. em 2018, montei uma das minhas favoritas: Contos de Natal numa cena linda, que um menino cego voltava a enxergar, o pessoal do teatro me pediu pra não usar os balões de gás e furaram todas as estrelas.

Chorei compulsivamente. Eliane, minha amiga me disse- Nossa Del, você não é assim. Sempre dá um outro jeitinho, sempre improvisa…

Soube no outro dia, que exatamente naquele momento do estouro dos balões, meu sobrinho, afilhado Gugu havia sido levado por uma queda d’água enquanto fazia rapel numa cachoeira na Serra da Canastra nas Minas Gerais. Que dor…Imaginei como sentiam meu Irmão, minha cunhada e sobrinhas.

Seu corpo foi encontrado na véspera de Natal e eu joguei a árvore natural com todos os enfeites na lixeira do meu condomínio em Melrose. Desde então, não montávamos mais árvores.
Ano passado comprei uma pequena, simples e este ano a montei novamente. Porque é o segundo Natal no nosso próprio apartamento e Gugu amava essa época! Quando eu tinha 9 anos, vi papai Noel e suas renas voando no céu de Passos.

Ninguém acreditou em mim. Eu vi com esses olhos que a terra há de comer. E essa imagem quero guardar pra sempre. Feche os olhos.

Imagine Papai Noel no seu trenó cortando o céu estrelado e dizendo: Feliz Natal pra todos! Ro Ro RO! E é o que desejo do fundo do coração para todos vocês que lerem esta crônica. E que o menino jesus nos abençoe para todo o sempre. Amém!


SOBRE A COLUNISTA – Edel Holz é a mais premiada e consagrada atriz, roteirista, diretora e produtora teatral brasileira nos Estados Unidos. Inquieta e de mente profícua, Edel tem sempre um projeto cultural engatilhado para oferecer para a comunidade brasileira. Depois de anos de ausência, Edel volta a abrilhantar as páginas de um jornal. Damos as boas-vindas à poderosa e de mente efervescente Edel.

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