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Europa entra em período de incerteza por fornecimento de gás russo

AFP – A Europa entrou nesta segunda-feira (11) em um período de grande incerteza sobre as importações de gás russo, que devido ao conflito na Ucrânia registraram uma redução drástica nas últimas semanas e em breve podem ser completamente cortadas.
O grupo russo Gazprom iniciou nesta segunda-feira as obras de manutenção no gasoduto Nord Stream 1, que transporta grande parte do gás que ainda fornece para a Alemanha e outros países do oeste da Europa.

“O Nord Stream está parado (…) o que significa que o gás deixou de circular”, confirmou o ministério alemão da Economia.

O fechamento durante 10 dias de duas tubulações, anunciado há alguns meses, deveria ser, em tese, uma formalidade técnica. Mas no contexto da guerra na Ucrânia e da disputa entre Rússia e os países ocidentais sobre a energia, ninguém consegue prever o que acontecerá.
Como forma de advertência, a Gazprom reduziu nesta segunda-feira o fornecimento de gás para Itália e Áustria, em um terço e 70% respectivamente, informaram as empresas de energia italiana Eni e austríaca OMV. Os dois países são abastecidos em parte pelo gasoduto TAG, que passa pela Ucrânia, mas também pelo Nord Stream 1.

– “Torneira fechada” –

“Há vários cenários em que poderíamos entrar em uma situação de emergência”, alertou o presidente da Agência Federal de Redes da Alemanha, Klaus Müller, em entrevista ao canal ZDF.

“Putin vai fechar a torneira do gás para nós… mas voltará a abrir algum dia?”, questionou o jornal Bild no domingo.
“Enfrentamos uma situação sem precedentes, tudo é possível”, admitiu o ministro alemão da Economia, Robert Habeck, no fim de semana.

“É possível que o gás volte a fluir, inclusive em maior quantidade do que antes. É possível que não chegue mais nada e devemos nos preparar para o pior, como sempre”, acrescentou.

A Rússia, alegando um problema técnico, reduziu nas últimas semanas 60% do fornecimento de gás através do Nord Stream, uma decisão denunciada como “política” por Berlim.

Diante do cenário, a Alemanha se esforçou para convencer o Canadá a devolver uma turbina para o Nord Stream 1, que estava no país da América do Norte para manutenção. Tudo isso apesar dos protestos da Ucrânia.
Berlim não queria dar um argumento adicional a Moscou para interromper o abastecimento de gás. O chanceler alemão, Olaf Scholz, celebrou a “decisão dos amigos canadenses”.

O governo alemão argumenta que, por razões técnicas, seria difícil para a Gazprom interromper todo o fornecimento através do Nord Stream, pois o gás da reserva siberiana está “sob pressão” e não pode ser armazenado para sempre.

“Não é como uma torneira de água”, disse Habeck.

– Medo de racionamento –

Desde o início da guerra na Ucrânia, a Alemanha fechou outro gasoduto russo que deveria entrar em funcionamento – o Nord Stream 2 – e se esforça para reduzir a dependência do gás de Moscou.
Mas a dependência permanece elevada: 35% de suas importações de gás procedem da Rússia, contra 55% antes da guerra. E mais de 50% da calefação das residências precisa do gás.

Uma paralisação permanente do Nord Stream 1 não afetaria apenas a maior economia europeia.

Segundo o site do Nord Stream, o gás que chega à Alemanha, à localidade de Lubmin, é transportado em seguida para Bélgica, Dinamarca, França, Grã-Bretanha, Holanda e outros países.

Uma interrupção prolongada do abastecimento agravaria então a crise energética que já afeta a Europa, com preços em alta e o temor de um inverno muito difícil.
Na Alemanha, as autoridades já examinam planos de racionamento.

A indústria química alemã é particularmente vulnerável porque depende muito do gás. A Associação da Indústria Química (VCI, na sigla em alemão) afirma que está preparada para o “pior cenário”.

O grupo BASF, com sede em Ludwigshafen (sudoeste), cogita uma paralisação parcial dos funcionários em caso de falta de gás.

“Se não recebermos mais gás russo (…) temos reservas atualmente para um mês ou dois”, explicou Klaus Muller.

A Câmara Baixa da Alemanha, o Bundestag, aprovou na quinta-feira um plano de economia energética. O Parlamento acabou com a calefação acima de 20 graus no inverno e cortou a água quente nos banheiros individuais.

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